SAÚDE
Agosto Laranja alerta para o diagnóstico e tratamento da esclerose múltipla
Doença autoimune afeta o sistema nervoso central
Alterações aparentemente simples podem indicar um problema neurológico que merece atenção. Crônica e autoimune, a esclerose múltipla provoca lesões no cérebro e na medula espinhal. Reconhecer os sinais logo no início favorece o tratamento e ajuda a preservar a autonomia e a capacidade funcional dos pacientes. No país, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) estima mais de 40 mil pessoas diagnosticadas.
“O problema é que muitos desses sintomas também podem acontecer em situações comuns do dia a dia, como estresse, ansiedade e compressões de nervos, por exemplo, ao cruzarmos as pernas. A diferença é que, na esclerose múltipla, esses sinais costumam durar mais de 24 horas e aparecem sem uma explicação evidente. E, muitas vezes, deixam algum grau de limitação. Por isso, quando um sintoma neurológico persiste ou se repete, é importante investigar”, orienta.
O desaparecimento temporário de sintomas como formigamento, visão embaçada ou fadiga pode transmitir a falsa impressão de que não há motivo para procurar ajuda. No entanto, manifestações persistentes ou que voltam a aparecer merecem investigação, alerta Godoi.
“Muitos pacientes acham que, se o sintoma melhorou sozinho, não há motivo para procurar um médico. Na esclerose múltipla, isso pode ser um erro, porque os surtos costumam melhorar parcialmente de forma espontânea, mas a doença continua ativa e pode causar novas lesões. Por isso, a avaliação precoce faz toda a diferença”, ressalta o neurologista da Hapvida.
O médico explica que o número de diagnósticos aumentou nas últimas décadas, mas que isso não significa que a doença esteja se tornando mais comum. “Hoje, temos exames de ressonância magnética muito mais sensíveis, maior conhecimento da doença, critérios diagnósticos mais precisos e acesso mais rápido aos especialistas. Tudo isso faz com que casos que antes passavam despercebidos sejam identificados mais cedo”, afirma.
Importância do diagnóstico precoce
Embora não tenha cura, o diagnóstico e o tratamento precoces são importantes para controlar a doença e preservar a qualidade de vida dos pacientes.
“A esclerose múltipla provoca inflamações que podem causar dano ao cérebro e à medula espinhal. Cada surto pode deixar sequelas permanentes. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maior é a chance de reduzir novas crises, diminuir a atividade da doença nas imagens de ressonância e retardar o aparecimento de incapacidades. Em muitos casos, pessoas diagnosticadas precocemente conseguem estudar, trabalhar, praticar atividade física, formar uma família e manter uma boa qualidade de vida por muitos anos”, comenta o neurologista.
Para Godoi, um dos principais mitos que dificultam o reconhecimento da doença é a ideia de que a esclerose múltipla afeta apenas idosos. “Na verdade, ela costuma surgir entre os 20 e os 40 anos, uma fase muito ativa da vida. Outro mito é acreditar que todo paciente, inevitavelmente, ficará em uma cadeira de rodas. Isso não corresponde à realidade atual. Com os tratamentos modernos, muitas pessoas mantêm independência e qualidade de vida por décadas”, conclui o médico.



